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Arena
Metal: Após o lançamento do seu único CD a banda deu uma sumida considerada.
Qual o grande motivo para esse sumiço? JAIRO NETO - Não foi um sumiço assim tão
grande... Depois do CD fizemos uma tour por São Paulo, Santo André, Rio,
Salvador, finalizando no Recife com o Overdose. Continuamos a fazer shows (tudo
documentado nos meios de comunicação) e toda banda passa por hiatos. Sim, eles
aconteceram, o primeiro quando saiu Carlos Aranha. Eu e Zeca Aranha queríamos
tudo, novo estávamos em busca de um novo som e pra isso juntou-se a nós João
Paulo. Ficamos um ano ensaiando e compondo nosso primeiro disco para poder
fazer o primeiro show com JP... Sofri um acidente automobilístico que me deixou
um ano de cama. Depois começamos uma série de shows no Pocoloco tendo como
bandas de abertura o Eddie, o Jorge Cabeleira, entre outras. Com a saída de
Zeca, a banda continuou com Vinícius e fazíamos no máximo dois shows ao ano,
pois eu me dedicava ao estudo do violoncelo e JP, ao violão clássico (hoje ele
é professor de música antiga na UFPE). Houve mais um tempo de um ano que estava
tocando violoncelo com Alpha Petulay na peça teatral de Betito Tavares e
direção de Caio Blat – Karma - foram oito meses foram em cartaz no Teatro
Suassuna na Barra, no Rio de Janeiro. Depois disso houve a volta de Zé Mário,
aí acho que vocês já conhecem a história.
Arena
Metal: Depois do CD auto intitulado, a banda veio só agora lançar um EP,
Unburied. A banda está se articulando com alguma gravadora para lançamento de
um breve álbum? JAIRO NETO - Com selo ou não queremos estar com
nosso novo CD no máximo até o fim do primeiro semestre de 2011. A metade já tá
pronta... e o que rolar vai ser fruto do nosso trabalho.
Arena
Metal: Todas as faixas neste EP soam mais brutais, se comparada as faixas do
Debut CD, isso veio criar algumas críticas negativas, bem como positiva de
algumas pessoas, como sempre. Mas na opinião da banda há essa enorme diferença
entre essas gerações, debut CD e EP? Isso tem a ver com a mudança quase que
completa no line-up? JAIRO NETO - Críticas negativas são questão de gosto
musical – tocamos o que gostamos e tudo muda o tempo todo, quem fica parado no
lugar nunca vai dar o passo seguinte. Cada pessoa que entra no Cruor faz parte
e vai fazer parte de uma família até o fim da vida. Talvez esse seja o segredo
da longevidade, cada um traz suas influências e todas são bem vindas, não nos
prendemos a estilos musicais, fazemos nosso fucking thrash metal e estamos
sempre em mutação.
WILFRED GADÊLHA – Como Jairo disse, essa sonoridade
tem a ver com o background musical de cada membro da formação atual. Assim,
esse Cruor “novo” surgiu naturalmente e eu acredito que essa seja uma tendência
para o futuro.
Arena
Metal: Soube que Zeca (antigo baterista) tem uma banda chamada Aracnus, lá nas
gringas. Também soube que ele tá pra dá as caras por aqui em 2011. Há uma
possibilidade de vê-lo tocar as antigas músicas como participação especial, em
homenagem a sua visita em nossa terra e em homenagem aos antigos fãs, como eu? JAIRO NETO - Claro, daqui pra frente vocês ainda
terão muitas surpresas... é só o começo...
Arena
Metal: Sei que a Cruor tocou com “putas” bandas, isso consta no release
estampado no CD original da banda. Mas qual foi a sensação de abrir para a
headliner Megadeth? JAIRO NETO - O nosso primeiro CD era de um selo
independente de uma banda desconhecida e acompanhava um release no mesmo.
Quanto o Megadeth, lógico que foi talvez minha maior emoção como músico, mas
para nós o próximo show sempre é o mais importante, seja para 4.000 pessoas ou
para 50.
WILFRED GADÊLHA – Como Jairo disse, tocar com o
Megadeth foi a minha maior realização em cima de um palco. E isso trouxe para
nós uma atenção maior, de gente que tem curiosidade de ver que banda é essa que
abriu pros caras. Mas, por mais que tenha sido do caralho, o próximo show
sempre é o mais importante.
Arena
Metal: Vocês acham que a levada de shows que vocês vêm tendo, atualmente,
facilitou para abrir para esses headliners? Ou foram os contatos? JAIRO NETO - Tudo que conseguimos esse ano,
inclusive o Megadeth, foi graças ao Unburied e do esquema de lançamento que
fizemos pela internet (de fevereiro para cá com quase 6 mil plays), download
gratuito e divulgação no Myspace, Twitter, Orkut e Facebook. Na minha opinião,
fizemos um excelente trabalho mesmo devido às condições que tínhamos e estamos
colhendo os frutos e nos dedicando cada vez mais para aprimorar o nosso som.
WILFRED GADÊLHA – Vale salientar que, antes do
Megadeth, já vínhamos mostrando o material novo nos shows que fizemos. Antes de
registrá-los. Estamos compondo, temos muitas balas na agulha e agora é a hora
de colher os frutos.
Arena
Metal: Por ser a banda mais antiga de PE, ter talvez a maior massa de fãs aqui,
ter ótimas músicas... enfim. Qual o motivo da Cruor nunca ter participado da
seletiva do Wacken? JAIRO
NETO – Bem, nosso trabalho foi entregue em tempo hábil. Acho que não somos nós
que temos que te responder essa pergunta. Além disso não seríamos páreo para o
Cangaço, que merecidamente vai representar o Brasill no W.O.A.
WILFRED
GADÊLHA – É claro que queríamos tocar no Wacken Metal Battle. Mas, uma
competição é muito subjetiva. Tem gente que gosta, tem neguinho que não gosta.
O que importa é que a gente continua fazendo exatamente o que a gente quer,
independentemente de Wacken ou qualquer outra disputa.
Arena
Metal: Aqui na cena tem isso que a galera chama de “panelinha”, vocês acham que
esse “panelismo” chega atingir a Cruor? JAIRO NETO - Sempre andamos com os nossos pés e de
mãos dadas com nossos amigos.
WILFRED GADÊLHA – Estou nesse lance de metal há duas
décadas. Isso sempre vai existir. Mas, modéstia à parte, quem é bom não precisa
de panela.
Arena
Metal: Naquela época do Debut a banda tinha outras influências, tanto pela
época quanto pelos integrantes. Hoje nessa formação, quais seriam as
influências de composição tanto para parte lírica quanto para a instrumental? JAIRO NETO - Nossas experiências... Sendo elas
musicais ou pessoais ...
WILFRED GADÊLHA – Todos nós crescemos ouvindo metal
nos anos 80. Isso significa que o nosso alicerce musical vem daí. O resto é
gosto pessoal mesmo.
Arena
Metal: Sei que o Material na hora de gravação tem um apoio bastante estranho,
de um músico de uma banda totalmente fora do estilo metal ou rock no geral.
Como rolou esse lance, foi um convite, a banda foi cobaia... como foi isso? JAIRO NETO - Chimbinha é um grande cara, um
excelente ritmista e muito generoso. É amigo de Bacalhau, que projetou o
estúdio dele temos. O mesmo técnico de gravação, que é Luizinho Referência, aí
as coisas aconteceram...
WILFRED GADÊLHA – Essa pergunta é muito boa. Acho
que a gente tem que abrir a cabeça. Não estou dizendo que sou fã do Calypso,
até porque eu não sou. Mas o metaleiro, em geral, é muito preconceituoso. Tem
muita gente que não faz metal e que é competente. Basta abrir os ouvidos. E,
sim, Chimbinha é um ótimo músico.
Arena
Metal: Por que não aproveitar a oportunidade e gravar logo todo um material
full length? JAIRO NETO - Tivemos dois fins de semana que o
Calypso estava em tour, queríamos muito ouvir como soávamos e aproveitamos a
deixa...
Arena
Metal: Pra não tornar a entrevista longa vamos ficando por aqui, e deixo o
espaço pra vocês falaram o que eu não perguntei, ou o que vocês sempre tiveram
vontade de falar sem censura. JAIRO NETO - Só queríamos agradecer a todos
aqueles que nos apoiaram este ano: à Raio Lazer e Lulinha, Mário Jorge, nosso
eterno mesário e amigo, sempre presente nos momentos especiais, Luizinho
Referência pela gravação e mixagem do Unburied e pela parceria que já dura dois
anos, Chimbinha do Calypso, ao Arena Metal, que sempre esteve ao nosso lado,
aos amigos do Inner Demons Rise, Josco, R M L, à galera de Carpina,
Jucélio e cia de Garanhuns, Levi, Nato, Cleber e toda galera de Caruaru.
WILFRED GADÊLHA – Pô, a galera tem que comparecer
aos shows das bandas locais. Não é porque temos a chance de ver Iron Maiden,
Motorhead, Scorpions ou Megadeth, que é imperativo que viremos as costas para
quem está na batalha. Somos nós, seguindo os passos dos mestres, que
construímos uma cena. Imagina se a galera da Bay Area não prestigiasse os shows
de Metallica, Exodus e companhia em 1982?
(por Hugo Veikon)
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