Força, energia e intensidade. A Shadowside pode ser definida por sua paixão pela música, além da coragem de correr riscos para buscar sonhos e objetivos. As influências de seus integrantes vão do Thrash, Hard Rock e Heavy Metal, e são unidas para criar músicas com refrãos marcantes, guitarras pesadas, belas melodias e uma performance vigorosa com um toque de moderno.  A banda iniciou atividades na cidade de Santos – SP em 2001 com o lançamento de um EP independente, seguido de uma turnê nacional que incluiu shows de abertura para bandas como Nightwish e Primal Fear. Shadowside entrou em estúdio novamente no início de 2011 para gravar novo material, intitulado “Inner Monster Out” e conversamos com a Vocalista Dani Nolden que fala sobre o material e a tour pelo nordeste brasileiro.

(Por Hugo Veikon)

Arena Metal: Primeiramente gostaríamos que vocês da SHADOWSIDE nos dissessem quais as expectativas pra essa primeira tour pelo Nordeste brasileiro?
Dani: As melhores possíveis! O que ouvimos falar do povo nordestino são sempre coisas excelentes... que são pessoas acolhedoras, gentis e que os fãs de metal da região são loucos, no melhor sentido que você possa imaginar, que batem cabeça mesmo e curtem a música de verdade. Estou muito ansiosa pra ver tudo isso de perto!

Arena Metal: O CD Inner Monster Out foi lançado em 2011, mas a banda ainda vem o divulgando, certo? Mas vocês podem nos adiantar alguma novidade nos palcos aqui pelo Nordeste?
Dani: Sim, ainda estamos divulgando o álbum porque ele foi lançado recentemente no exterior, além de ainda não termos tido a oportunidade de tocar nem em metade dos locais no Brasil que queremos. Pretendemos fazer uma turnê longa, a mais longa que pudermos com o Inner Monster Out.

Quando não tivermos mais onde tocar, tanto aqui no Brasil quanto no exterior, então vamos pensar em um disco novo... precisamos ficar exaustos de tanto tocar primeiro (risos). O público pode esperar um show cheio de energia, intenso, explosivo... todos os nossos shows são nervosos, mesmo quando estamos sem dormir, o palco e os fãs sempre nos dão forças! O set list será baseado no Inner Monster Out, porém também vamos tocar músicas dos álbuns anteriores, Theatre of Shadows e Dare to Dream.

Arena Metal: Ainda sobre o material Inner Monster, conte-nos de quem foi a ideia do clipe da música Angel With Horns? Principalmente a escolha do ambiente e personagens, aquelas máquinas pesadas e tal...
Dani: Do ambiente para as cenas da banda tocando, a ideia foi do pessoal do Studio Kaiowas, que foi quem produziu o videoclipe. O roteiro também veio deles, porém eles se basearam na letra de Angel with Horns, que é uma história real, um pouco aumentada e satirizada no videoclipe pra ficar mais divertido, mas a coisa realmente aconteceu e foi comigo... tinha que ser comigo (risos). Alguns amigos estrangeiros me chamavam de Angel with Horns, pois me consideravam doce e inocente como um anjo, mas capaz de ser cruel  quando necessário. Então ao mesmo tempo que falei de mim mesma, em uma situação onde eu me divertia vendo os caras fantasiarem uma vida comigo, falei também sobre escapismo, pois sabia que eles não falavam sério. Quando eles fantasiavam com a vida comigo, o que eles fantasiavam na verdade era a vida de liberdade, na estrada, sem compromissos com a esposa, com o chefe cobrando todos os dias. Então apesar deles saberem que eu não falava sério quando dava corda pra eles, eles ficavam decepcionados quando eu os fazia voltar para a realidade e lembrá-los da existência da esposa e do chefe (risos). E aos poucos, eles perceberam que realmente eram felizes, então a moral da história é que nunca percebemos como somos felizes até perdermos o que temos, e às vezes aquela pessoa que te joga um balde de água fria e acaba com as suas esperanças é quem está, na verdade, te abrindo os olhos.

Arena Metal: Bem o número de views que tem esse clipe é incrível. Vocês escolheram essa música como clipe desde que as compuseram? porque pelo jeito ela é fez um grande sucesso.

Dani: Nós escolhemos essa música para ser o videoclipe porque ninguém conseguia tirá-la da cabeça durante as gravações (risos). Nem nós, nem nosso produtor, nem o assistente dele, então achamos que seria desperdício não torná-la música de trabalho. A gravadora queria Habitchual, que eles consideravam mais comercial, mas nós batemos o pé quando percebemos que o melhor caminho a seguir não era simplesmente usar a música mais comercial. Eu adoro Habitchual, os fãs gostam muito também, mas durante a gravação notamos que a música que funciona como o melhor exemplo do que é o álbum Inner Monster Out é Angel with Horns, por ser uma música melódica, pesada e com partes bem agressivas.

Arena Metal: E o sucesso realmente foi longe, com sucesso de venda de CD no Japão e a Premiação do  Independent Music Awards e vocês não param de investir na qualidade e criatividade musical. Vendo isso, sobre tudo do reconhecimento mundial, vocês acreditam que a SHADOWSIDE agora terá mais o respeito aqui no seu país? porque normalmente é isso: reconhecimento fora pra depois tê-lo aqui.

Dani: Eu nem sei dizer se é uma questão de respeito, na verdade... pra ser sincera, eu acho que a razão desse tipo de coisa acontecer é porque tantas bandas aparecem todos os dias, tantas bandas lançam álbuns todos os meses, fica difícil acompanhar tudo... então as pessoas acabam prestando mais atenção ao que está fazendo sucesso em outros lugares. Acredito que as pessoas não se dão ao trabalho de escutar tudo que ouvem falar, mas quando descobrem, por exemplo, que fomos uma das 15 bandas de Hard Rock e Metal mais tocadas nas rádios dos Estados Unidos por 6 semanas seguidas, e que chegamos até a 9ª posição, então elas ficam curiosas e querem saber do que se trata Shadowside. O tempo de estrada naturalmente traz respeito e as conquistas trazem pessoas curiosas a respeito do nosso som, e a consequência disso é encontrarmos cada vez mais pessoas que gostam do que fazemos. Eu nunca me preocupei muito com onde faríamos sucesso primeiro, sempre achei que seria algo natural se fizéssemos um trabalho bem feito e honesto, tendo prazer em tocar o que estamos tocando e não apenas para fazer sucesso.

Eu prefiro sempre manter o foco em agradar nossos fãs, não me preocupar com quem não gosta ou ainda não teve curiosidade para escutar o que fazemos. Quem não gosta, não vai gostar nunca... quem não escutou, mais cedo ou mais tarde vai querer saber que #$@* de banda é essa que todo mundo está falando (risos).

Arena Meta: Vocês que já percorreram diversos países fora do Brasil, fale-nos sobre a qualidade e aparelhagem que os produtores disponibilizam aqui e lá na Europa.

Dani: As coisas funcionam de forma bem diferente por lá. Normalmente as bandas levam seu próprio equipamento em viagem terrestre, algo que começamos a fazer por aqui recentemente. Nas raras ocasiões em que um vôo é necessário, como quando vamos tocar em festivais ou ficar apenas uma semana por lá, nunca vi um produtor economizar na qualidade de som. Tocamos em festivais grandes e pequenos, sempre com equipamento de primeira. Uma das situações mais engraçadas que passamos foi no primeiro show que fizemos no exterior, no Indianapolis Metal Fest em setembro de 2007. Todas as bandas estavam com seus equipamentos, pois eram norte-americanas... e nós, os brasileiros, não tínhamos como levar amplificadores e bateria do Brasil para tocar em um festival. Então conversamos com o produtor sobre isso, ele pensou por alguns minutos e disse, muito chateado e preocupado: “olha... tudo que eu tenho são dois Marshall JCM 900... isso serve?” e nós começamos a rir. Como ele estava nos perguntando se um amplificador desses “serve”? (risos) Mas isso nos mostrou a diferença de realidade entre o Brasil e Europa/Estados Unidos. A estrutura que eles tem é outra. Os melhores equipamentos que você pode imaginar tem preços acessíveis para eles. Qualquer menino iniciante tem um instrumento excelente. Aqui no Brasil, ainda falta experiência e verba para a maioria dos produtores, mas felizmente existe boa vontade e é uma questão de tempo para que os shows underground no Brasil sejam tão bem estruturas como os lá de fora. Ao menos nós sempre fazemos todo o possível para auxiliar os produtores e garantir a melhor qualidade de som que podemos oferecer aos nossos fãs em todos os shows.

Arena Metal: Vi em uma entrevista onde você, Dani Nolden, falou que era um sonho tocar aqui no nordeste. De onde surgiu essa vontade de tocar aqui no Nordesde?

Dani: Do carinho do público nordestino. Desde que a banda iniciou as atividades, os fãs da região foram um dos mais pediram shows por aí, sempre fizeram abaixo-assinados, organizaram fã-clubes, pediram Shadowside nos eventos. Agora tudo está finalmente acontecendo porque os fãs acreditaram e se fizeram ouvir, a ponto de não poderem mais serem ignorados. Eu vejo que os fãs nordestinos são realmente apaixonados por Metal e que eles deixam isso claro nos shows.  Claro que quero tocar em todas as regiões do Brasil, mas essa vontade específica de tocar no Nordeste é pela galera daí ter sido uma das primeiras a abraçar a banda.

As pergunta abaixo foram elaboradas por um fã de Maceió/AL (Renato Tiengo)

Arena Metal: Como surgiu a ideia da participação especial de Björn "Speed" Strid (Soilwork), Mikael Stanne (Dark Tranquillity) e Niklas Isfeldt (Dream Evil), no CD INNER MONSTER OUT?

Dani: A letra da faixa Inner Monster Out tem personagens, pois ela é uma mistura de Nietzsche com Hannibal Lecter...é sobre um investigador que precisa entender como funciona a cabeça de um assassino brutal e para isso, ele precisa compreender seus motivos... o que o deixa confuso sobre o seu próprio caráter. Como Nietzsche diz, “Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você". Essa é a inspiração da música, então soaria esquisito se apenas uma pessoa cantasse tudo isso. Soaria como alguém de personalidade múltipla, não duas pessoas se misturando em uma. Portanto percebemos que precisaríamos de convidados ou eu teria que mudar a letra. Conforme fizemos a música, pensamos em que tipo de vozes se encaixariam bem, porém queríamos que fossem cantores que tivessem a possibilidade de ir até o estúdio, conversar conosco, dar ideias, colaborar de verdade e não apenas receberem a música pela internet e gravar o que nós mandássemos.

Queríamos uma parceria então convidamos inicialmente dois cantores que admiramos muito da cena de Gotemburgo... Björn do Soilwork e Niklas do Dream Evil. Mikael veio como uma surpresa, uma surpresa muito agradável pois eu sou uma grande fã da voz dele. Fizemos amizade com Anders, baterista do Dark Tranquillity em uma das raras ocasiões em que tomamos coragem para sair durante a gelada noite de inverno sueca (risos). Ele levou Mikael para nos conhecer no estúdio no dia em que Björn estava gravando, acho que ele se empolgou e quis gravar também (risos).

Eu adorei a ideia, só achei uma pena que a música estava já toda escrita e não pude fazer uma parte apenas para ele, para que ele se destacasse mais.  Mas foi algo muito divertido. Nós os tiramos das suas zonas de conforto, dando a eles algo para cantar bem diferente do que eles estão acostumados, porém permitimos e pedimos que eles trouxessem um pouco das suas personalidades para o nosso som também. Não queríamos participações apenas para vender discos, daquelas que o vocalista convidado canta uma frase apenas para que a banda possa falar “com participação especial de...” (risos) Queríamos que a participação deles realmente fizesse diferença na música.

Arena Metal: Temos visto que a banda trabalha bem com produção de vídeo, como Hideaway e Angel with Horns, já falada. Então, alguma previsão de lançamento para DVD?

Dani: Não há previsão de lançamento, mas já temos alguns planos e ideias. Não queremos fazer qualquer coisa apenas para dizer que temos um DVD, queremos fazer algo especial então não vamos apressar as coisas. Estamos planejando e assim que tivermos a oportunidade, assim como as condições perfeitas, faremos.

Queremos algo que celebre a história da banda e que ao mesmo tempo os fãs tenham a oportunidade de fazer parte disso de alguma forma!

Arena Metal: Nesses quase 12 anos de banda, quais metas já foram alcançadas e quais objetivos e metas a banda passou a traçar para 2013?

Dani: Todas as metas foram alcançadas e superadas... acabamos indo muito além do que eu esperava, sinceramente!  O que estamos vivendo hoje é algo com que eu sonhava na minha adolescência, mas eu não sabia se realmente era possível ou se estava ao meu alcance. Eu só realmente percebi onde havíamos chegado durante a passagem de som em um show na Finlândia, em Helsinque. Eu estava cantando, olhei em volta e pensei “como estou longe de casa” (risos). Foi naquele momento que realmente percebi que havíamos superado todos os nossos objetivos. O primeiro era gravar um álbum, gravamos três até agora, depois tínhamos o sonho de tocar no exterior, acabamos tocando em 20 países, queríamos levar nossa música para o maior número de pessoas possível e hoje nosso público total em shows já passou de 100.000 pessoas.

Tocamos com grandes bandas como o Iron Maiden, então me considero uma pessoa realizada e acredito que os rapazes da banda podem dizer o mesmo. Nossas metas em 2013 não estão muito distantes do que estamos vivendo hoje, queremos tocar no maior número de lugares que pudermos e no final do ano, começar a pensar em um novo trabalho. Não vamos descansar tão cedo!

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