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Essa é uma daquelas maravilhas que o tempo não
apagou. Infelizmente o INFECTED foi uma banda que surgiu em um momento
“imaturo” da cena metálica recifense, mas quem a acompanhou guarda com muita
saudade a época e a banda.
A banda foi formada em 1992 por Rogério Mendes
(vocal), Jorge Andrade (guitarra e vocal), José Fernandes (guitarra), Renato
“Banha” Matos (baixo e vocal) e Belchior de Melo (bateria). Os membros eram
muito jovens (Rogério tinha 13 anos na época), mas nem por isso deixaram de
investir num som pesado e calcado em ícones como Morbid Angel (a mais clara
influência), Gorefest, Entombed e Immolation. Em 1994, pouco depois de lançarem
a primeira demo “The Contamination”, Rogério saiu para integrar o grande
Decomposed God (que nessa época tinha uma das melhores formações da banda com
Marcos e Alejandro nas guitarras, Jean no baixo e o monstro Murilo Nóbrega na
bateria).
Após a mudança na formação, houve apenas uma
re-organização e os vocais passaram a ser divididos entre Jorge (a maioria dos
guturais) e Renato (os vocais mais rasgados). Com essa estrutura gravaram em
três dias de Julho de 1995 a nova demo “Dead Paradise”. Eram apenas uma
introdução e quatro músicas, mas a qualidade de todas era altíssima! Comparada
à demo anterior, “Dead Paradise” mostrava uma banda mais coesa e técnica,
investindo diretamente num Death Metal mais técnico, enquanto anteriormente nós
também podíamos notar influências de hardcore, heavy metal, thrash metal e
crossover. Também contava favoravelmente uma melhora na qualidade da gravação,
já que a primeira foi gravada em meros 4 canais!
Com uma abertura ao som de trombetas sintetizadas
por teclado você nem nota que o som das faixas seguintes fosse tão matador.
Mesmo não contando com a qualidade que hoje se consegue em qualquer gravação
caseira (santa inclusão digital!!!), foi uma demo bem gravada e que tinha garra
e técnica suficientes para suprimir qualquer comentário negativo. Talvez um
pouco mais de peso no pedal da bateria (para realçar a técnica de Belchior) ou
mais volume das guitarras fosse suficiente. Mesmo assim eu vejo essa demo como
uma das melhores já lançadas por aqui.
Em “Lost in Glories” é muito evidente a influência
do Morbid Angel em uma música que fala da descrença e dos falsos dogmas. A
música em si começa muito pesada e contém solos curtos e interessantes em sua
sequencia. No meio da música há uma mudança brusca de velocidade e as guitarras
ficam mais pesadas enquanto a letra é cantada sobre forte andamento do pedal
duplo da bateria.
O interessante do INFECTED é que as letras não eram
infantis (imagine como deve ser difícil um pivete com seus 17 anos escrevendo
sobre filosofia!) e em muitos momentos nos remetem a profundas reflexões. Um
desses momentos é bem evidente em “Real God”, cuja letra, segundo Belchior, foi
inspirada em Anton La Vey. Ela começa como um trovão onde todos os integrantes
tocam praticamente juntos com o início do vocal. Nessa música há maior
participação do vocal de Renato, que praticamente divide-se ao de Jorge. Ao
final tem uma frase que eu, sinceramente, ainda reflito com freqüência: “Your
foolish people who don’t see our conscience is a real god”.
Na música seguinte há uma nova introdução de
teclado antes de um breve solo de guitarra que nos entrega “Blasphemate the
Society”. Uma música com um tema meio social, aliado a observações sobre a
influência da igreja na vida das pessoas e em como as pessoas veneram os santos
que permanecem em altares para serem venerados.
A última música da demo é a faixa-título. Ela começa
“longe” e aumenta gradativamente de volume e desemboca numa pancadaria
maravilhosa. É outra faixa que explora bem a temática religiosa / social com
suas hipocrisias e imposições (“Religion, television, destroying my mind! Let
me go, I need to breath at least”). Assim como as demais faixas da demo, esta
também é um pouco curta, mas apresenta um final diferente das demais, pois
entra uma guitarra meio progressiva, com bateria lenta que precedem uma
distorção mais discreta das guitarras e um vocal meio sussurrado que “deseja o
paraíso para a consciência e o inferno para sua companhia”. Por volta de 2007,
essa faixa fez parte da coletânea “Winds of a New Millenium Vol.2” da extinta
Demise Records.
Mesmo após a bem sucedida demo e divulgação na
coletânea, a banda foi dissolvida pois os membros resolveram investir em um
projeto chamado Fábrica de Palhaços, uma banda instrumental com forte
influência do rock progressivo dos anos 70, mas não deixaram nenhum registro
oficial gravado. Pouco tempo depois, Renato e Belchior exploraram mais o
projeto Black Metal Elizabethan Walpurga (que existia desde 1994 e inicialmente
contava com Rogério Mendes nos vocais e mais tarde contou com o grande Lord
Leonardo (Mal’lak), do Lord Blasphemate e ex-Darkness Emperor), mas que também
não durou muito, visto que os dois foram morar nos Estados Unidos.
Em 2009 surgiu uma notícia que Belchior propôs que
a formação original da banda voltasse a tocar como Infected. Eles tem até um
MySpace pronto.
(http://www.myspace.com/infectedrecife), mas até
agora não surgiram shows ou gravações. Resta-nos
aguardar esse retorno memorável!
(por Léo Quipapá)
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