|
Quem foi que disse que
coletânea não tem mais razão de ser? Tem sim e basta dar uma sacada em Terra
Batida, um combo de seis bandas que dão uma pequena amostra da atual cena
pesada pernambucana. É claro que os tempos das antológicas Metal Massacre (que
revelou nomes como Metallica, Slayer, Flotsam & Jetsam, Possessed, Metal
Church, Fates Warning, Overkill), Death Metal (Helloween, Hellhammer e Rage) e
Warfare Noise (Sarcófago, Mutilator, Chakal, WitchHammer) já se foram, mas a
iniciativa ainda é uma boa oportunidade de se lançar no mercado.
Ainda mais quando se sabe
que Terra Batida é o primeiro projeto metal aprovado pelo Funcultura (mais um
item positivo de 2009), via Fundarpe, Secretaria Estadual de Educação e Governo
de Pernambuco. Foi gravada em um dos melhores estúdios do Nordeste (o Fábrica)
e mixado por Léo D no Mr. Mouse. São 12 músicas – duas para cada grupo – que
destilam porrada do começo ao fim.
O disco começa com o
grindcore violento (e existe grind sem ser violento? Rererere) de uma das melhores
bandas pesadas pernambucanas da atualidade: Rabujos. Os dois sons, cantados em
português, Exílio e Hiena, são verdadeiras aulas de como produzir a sonoridade
popularizada pelo Napalm Death ainda nos anos 80. Letras inteligentes e
destaque absoluto para o baterista Carlos.
Na sequência vem o Project
666, com uma sonoridade mais voltada para o death metal. O som é mais cru mas
não menos pancada. Vocalizações mais rasgadas de Colaço chamam a atenção, assim
como as guitarras em afinações mais baixas. Buy Your Death tem uma levada mais
cadenciada, com nítidas influências de Pantera, Obituary e Slayer.
O Desalma também canta em
português e trilha pelo death metal, embora com citações mais “modernosas”. Os
riffs intrincados terminam às vezes embolados, mas isso não se constitui em um
problema sério. Em Chamas, por exemplo, não tem papas na língua: já começa
arregaçando, com blasting beats a torto e a direito.
Capitaneado pelo vocalista e
guitarrista Leo Metal (ex-Vórtex), o Unscarred é talvez a banda mais “leve”, já
que produz um thrash mais cadenciado, mas não menos pesado. Influências de
Machine Head, Slayer, Sepultura e Pantera são identificadas. O riff que conduz
Following My Thoughts é um convite ao
headbanging.
Os caruaruenses do Alkymenia
vêm na sequência e mostram uma sonoridade limítrofe entre death e thrash metal,
com boas ideias de riffs e levadas, mas foram prejudicados pela falta de
intimidade com o inglês do vocalista Anderson Chino (que já deixou a banda).
Quem já conferiu a fúria ao vivo do trio de irmãos (o Krisiun de Caruaru!!!)
vai perceber que o grupo poderia ter feito melhor.
Fechando o CD, o experiente
Insurrection Down, com dez anos de estrada e 54 shows na Europa (ao lado de
Master e Cephalic Carnage, por exemplo), apavora. Quebradeira geral e muita,
mas muita pancadaria logo de cara. O quarteto de Surubim, que já tem 3 discos
na algibeira, mostra um thrashão envolvente e é, de cara, um dos destaques da
coletânea.
Fonte: JC.uol.com.br
(por Wilfred Gadêlha)
|